Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
Terça-feira, 29 de Junho de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo
A sondagem que ontem surgiu a dar ao PSD e ao CDS (juntos) uma maioria quase absoluta não serve como “previsão”, mas é já um interessante indicador. Se lhe juntarmos a verificação de que metade do eleitorado do CDS e um terço dos sociais-democratas vêem com bons olhos uma candidatura de Direita alternativa à de Cavaco, temos um quadro nítido do sentido que a maioria dos portugueses pretende hoje dar ao seu voto: viragem à direita, cartão amarelo ao Presidente. Esta tendência crítica não se verificava há quase uma década e está, por isso, a ser saudada como excelente oportunidade para provocar a ruptura com “isto que está” e avançar para eleições que devolvam algum tino à vida nacional. E aqui surge, inevitavelmente, a pergunta: que pretende Passos Coelho fazer? Começou bem, restituindo ao “povo laranja” alguma auto-estima. Mas as prolongadas (e, por vezes, atabalhoadas) conversações e “acordos” em que se tem envolvido com o Governo socialista justificaram embaraço e preocupação. Alguns “cheques em branco” passados a Sócrates não contribuiram para dissipar a surpresa. Agora, que os estudos de opinião dão ao PSD 48 por cento dos votos e uns meros 24 ao PS, eis que Passos Coelho decide anunciar que “está aberto à esquerda”. À esquerda “renovadora”, acrescenta, dando como exemplo a genial cartada de Sá Carneiro ao “absorver”, nos anos 70, os socialistas António Barreto e Medeiros Ferreira numa “Aliança Democrática” alargada. Pode ser que tenha razão. Mas, para além de não se ver hoje no PS uma tendência discordante com a dimensão e a classe dos “reformadores” de há trinta anos, não se entende como poderá o PSD posicionar-se como promotor de uma “frente esquerda-centro-direita”, quando aquilo que o eleitorado lhe pede é que ponha fim a “isto”. E “isto” é a esquerda no poder.FOGO AMIGO: por António Marques Bessa
A Idade de Ouro: um mito pereneA Idade de Ouro em Portugal está muito para trás, escondida num conhecimento perdido, numa ligação amputada da tradição primordial.
Em Portugal é comum acenar com a firmeza de um solo e de um povo rico de tradições e afastado das correntes internacionais, que criam e desfazem riquezas, para veicular uma certeza basilar de que estamos protegidos por infindos recursos. Umas vezes são mitos religiosos que nos protegem, outras vezes meros mitos racionalistas, ou pior, positivistas e republicanos. Basta saltar de Sidónio Pais até Salazar. Destes para Braga de Macedo, o tal adiantado mental da ilha que não era tocada por qualquer vento, até às recentes loucuras de Sócrates, o Aventureiro, que quer arranjar uma saída para permanecer mais ilha. As ilhas no pensamento são perigosas. Tendem a atrasar os povos, iludi-los. Dar-lhes falsas esperanças. E quando as pessoas acordam do sonho sépia, já é tarde e descobrem que estiveram sob o encanto do vendedor de pomada indiana.
A Idade de Ouro do passado imutável, por artes de magia dos eurocratas em funções neste pequeno terreiro do sal, foi transformada numa situação final de modelo económico europeu em que o que vivíamos foi transmutado num desiderato final em que todos viveríamos felizes do Cabo da Roca aos Urales. Ora um dos abusos da propaganda política é colocar a Idade de Ouro no futuro. Quando ela pertence irremediavelmente ao passado da espécie humana. Não Idade de Ouro no Futuro maior ou menor. Só senhores e quase escravos.
Os velhos europeus e as civilizações tradicionais em todo o mundo sabem que a Idade de Ouro tinha sido, quando muito, uma memória viva, nos escritos poeirentos conservados nas prateleiras das livrarias dos mosteiros mais recônditos. Perdida no passado, como brilhante cume de uma vivência especial, foi para sempre perdida.
ErroMas ressoa ainda como um eco no livro de Milton “Paraíso Perdido”, encontra-se descrita no Génesis para talmúdicos judeus, católicos, protestantes e ortodoxos, e grita a partir dos desenhos de Blake, que é um homem sem tempo, que aconteceu viver em Inglaterra, e pintou em “The Ancient of Days” (“Blake”, Peter Akroyd, Folio Society, London, 2008) um tempo primitivo que o poeta grego Hesíodo descreveu no seu livro “Trabalhos e Dias”. Dizia aí: “Os homens viviam então como os deuses, os corações livres de quaisquer preocupações. Distantes do trabalho e da dor. A triste velhice jamais os visitava e, conservando toda a sua vida e vigor dos pés e das mãos, desfrutavam as alegrias dos festins ao abrigo de todos os males. Todos os bens corriam para eles. Os campos férteis ofereciam-lhes livremente alimentos abundantes, que comiam à vontade”.
Este ciclo é conhecido em todas as civilizações com escrita e parece que foi assim com gente feliz, que não conhecia a velhice e não morria. Textos sânscritos originados antes de 3.000 antes de Cristo falavam desse problema e da necessidade da intervenção de avatares (incarnações da trindade hindu) para corrigir a história dos homens desvairados. Os Upanishades, mesmo o mais antigo livro, o Rgveda, falam disso com abundância. Não vamos sequer falar dos textos da Epopeia de Gilgamesh, na Babilónia, aparentemente, segundo os ilustrados, antes de a História nos apanhar.
Mas os corações irrequietos haveriam de se revoltar contra tal situação tida como insuportável e acarretaram a condenação da Idade da Prata. Como diz Hesíodo, “uma raça pior tomou, a da Prata, tomou conta das moradas da terra. Tinham fragilidades e recusavam-se a adorar os deuses. Viviam pouco tempo e sofriam. Zeus, aborrecido, fê-los desaparecer. Porque não honravam os seus deuses”. A história de Hesíodo vai mais longe: explica que para substituir esta raça orgulhosa se criou uma raça de bronze em nada semelhante à outra. Alimentava-se de guerras e estavam dedicados a Ares. Em bronze trabalhavam porque ainda não existia o negro ferro; e, cheios de orgulho, não foram separados. Zeus-Cronos criou a quarta raça, a melhor, de heróis que dissiparam a sua vida em guerras intermináveis. Depois da experiência criativa de Zeus, assegura o autor, que não quer estar entre a quinta raça crida pelos deuses. Antes queria morrer e viver depois.
A nova visão
Agora vai existir uma raça de ferro e nem de dia nem de noite deixarão de estar sufocados pela fadiga e pela miséria; e os deuses dar-lhes-ão duras preocupações e continuamente se misturarão bens com males. Ela também terminará quando começarem a nascer crianças já velhas. “Desprezarão os pais logo que os vejam velhos, não haverá consideração pelo juramento, estimarão o malfeitor. A violência e a injustiça estarão nas mãos de malvados, não haverá respeito: o malvado faz mal ao bom. Ele continua a descrever: a destrutiva inveja de olhar sinistro, que se alegra do mal do outro, seguirá a todos os homens malvados. E o Olimpo não terá outra solução para a quinta raça: exterminação da abominação que representa.
Onde estará, então, a Idade de Ouro, se tudo é decadência desde as narrações bíblicas até à de Hesíodo?
Foram os progressistas como Comte, o monge Vico e Karl Marx, e mesmo Hegel, que veicularam a ideia sem provas de que o Paraíso estava no fim da História. Para Marx, era sociedade sem classes que nunca se realizou e que se viu onde foi dar; para o monge Vico tudo se traduzia “corsi e ricorsi”. Ou seja, numa repetição de acontecimentos sempre a um outro nível superior. Para Comte, o racionalista francês, as coisas eram mais simples: emergidos de uma idade informe e dominada pela teologia (Idade Teológica), a sociedade seria dirigida por leis racionais de legistas (Idade Metafísica), fase favorável para desencadear a Ciência e submeter tudo ao governo científico: a Idade de Ouro real, o domínio do científico (Idade Científica). Hegel só queria que o Geist (Espírito) se acabasse por reconhecer na História, e quando isso acontecesse estaríamos perante uma hierofania que arrastaria a humanidade no seu encalço, absorvendo-a em si. Um optimista.
O ciclo do povo
O que se torna mais absurdo é os intelectuais vendidos falarem em Pessoa e não lhe perguntarem nada sobre este problema. Rodeiam o assunto. Têm medo das respostas Quinto-Imperistas pressentidas em “A Mensagem” e desenvolvidas desde o Sapateiro de Trancoso, o Bandarra, numa linha de nomes sem fim que chega a Agostinho da Silva e António Quadros e mesmo o poeta Couto Viana e o grande pintor Lima de Freitas.
É igualmente curioso que não tenham lido a “História Secreta de Portugal” de António Telmo, que suspeita com razão que hoje vivemos numa Idade de ferro dominada pelo Ciclo da Plebe. Para ele, Portugal decai de um Ciclo de Reis (até Dom Manuel I), para um Ciclo do Clero e depois para um Ciclo do Povo, já degradado no nosso tempo a nível ínfimo e irreconhecível na sua expressão alta. Para baixo, ao longo do tempo, o conhecimento do fundamental decai. A orientação templária é substituída por um clero sem conhecimentos significativos, e depois pela maçonaria, ainda mais inconsistente e menos conhecedora dos mistérios transcendentes, embora se possa invocar de origem templária. Pois: a Idade de Ouro em Portugal também está muito para trás, escondida num conhecimento perdido, numa ligação amputada da tradição primordial.
Ciclo da Plebe, Ciclo de Ferro. Ciclo da Razão, Saudades do passado, saudades do futuro, anelo pela promessa sonhada ou pela idealizada Idade de Ouro. Tempo de profetas e de messianismos, eis o tempo difícil que nos é proposto, porém com remédio para os nossos males concretos. Foram anunciados pelo acre romeno Cioran: “É dentro de nós que devemos procurar, no princípio intemporal da nossa natureza”. Quer nesta, quer noutra Idade. É parvo, ou seja parvolorum (pequeno) andar a vender mitos quando eles esperam na esquina os que se atrevem sequer a murmurá-los.
Segunda-feira, 28 de Junho de 2010
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010
Quarta-feira, 23 de Junho de 2010
Terça-feira, 22 de Junho de 2010
Segunda-feira, 21 de Junho de 2010
Terça-feira, 15 de Junho de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo

Um estudo feito pela Associação de Defesa do Consumidor (DECO) revela que os portugueses já começaram a cortar a direito nas despesas correntes. Depois de deambular pelas manchetes dos jornais e pelos alarmes de televisão, a crise assentou mesmo arraiais no lar português. O que não deixa de ser curioso é o critério adoptado pela maioria das famílias nos cortes do dia-a-dia. Segundo a DECO, a primeira poupança é nas compras do supermercado: cairam a pique as vendas de produtos alimentares de primeira qualidade, ao mesmo tempo que continuam a subir os "produtos brancos" e a comida mais industrializada. O segundo corte é na factura da farmácia: a DECO apurou que muitos portugueses deixaram de aviar os medicamentos habituais, mesmo aqueles que os médicos consideram obrigatórios à manutenção do nível mínimo de saúde. Na maior parte dos casos, nem sequer tentam substituir uma receita de remédio de marca por um "genérico": "pura e simplesmente, deixam de os comprar", precisou uma especialista da Associação. Em contrapartida, a DECO não conseguiu registar qualquer quebra nas despesas das famílias portuguesas em serviços de telecomunicações e multimédia: as facturas de telemóveis, internet e televisão por cabo não sofreram alterações nos primeiros cinco meses do ano, ao longo dos quais a Associação de Defesa do Consumidor foi recolhendo dados sobre famílias endividadas. Mais interessante ainda: a última coisa de que a família portuguesa prescinde é do automóvel, um adereço que nas sociedades atrasadas continua a ser usado como indicador de "estatuto". Conclusão: antes de vender o carro ou prescindir de bens supérfluos de entretenimento, o português prefere arriscar a sua saúde e ter à mesa comida de plástico. Tudo, tudo é preferível a abdicar da aparência de "estilo de vida". Ao que tu chegaste, Nação valente e imortal!
Segunda-feira, 14 de Junho de 2010
Sexta-feira, 11 de Junho de 2010
Terça-feira, 8 de Junho de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo

Há sectores governamentais que, ciclicamente, fatalmente, caem no despropósito e no descontrolo. De novo isso sucede no Ministério da Educação, que nos anos 70 do século passado perdeu o pé para não mais o encontrar. Não admira que, sobre o caos reinante no mundo escolar, paire ainda a sombra de Veiga Simão, o infeliz socialista que, plantado num governo da Outra Senhora, deu o primeiro passo para o descalabro a que desde então se chamou "democratização do Ensino". As últimas notícias confirmam que o tino abandonou até a actual ministra, em cuja sensatez confiavam, há meses, muitos pais e professores. De uma penada, Isabel Alçada decidiu fechar todas as escolas com menos de 21 alunos e "oferecer" o 10º ano de escolaridade sem a realização de exames do 9º. A política do facilitismo veio para ficar. Os altos "responsáveis" podiam mesmo ser francos e levar o caso às últimas consequências: fechavam as escolas todas – e concediam, a 10 milhões de portugueses, 10 milhões de doutoramentos instantâneos. Saía muito mais barato, ao mesmo tempo que resolvia de uma vez por todas o problema estatístico da "qualificação" nacional. Num instante, passávamos todos a ser "competentes". A ministra será, naturalmente, chamada ao Parlamento, para "explicações"; mas já se viu que, no reino do "socialismo democrático", o Governo quer, pode e manda. Que se danem a razão e o bom-senso. Resta, pois, protestar. Os professores, que estão no terreno e sabem do que falam, fizeram no último fim-de-semana uma oportuna espera a José Sócrates e a Isabel Alçada, durante uma visita oficial a Trancoso, e Suas Excelências tiveram de ouvir o que não queriam. Nomeadamente, que só no distrito da Guarda vão ter de fechar 54 das 119 escolas do 1º ciclo – quase metade. Mas eles querem lá saber!
Segunda-feira, 7 de Junho de 2010
Sexta-feira, 4 de Junho de 2010
Quarta-feira, 2 de Junho de 2010
Terça-feira, 1 de Junho de 2010
QUINTA COLUNA: por Fra Diavolo
FOGO AMIGO: por António Marques Bessa
Um Povo sem memóriaO homem não foi feito para ter em conta milhares de leis contraditórias e estúpidas, mas a lei é feita em função do homem, por isso deve ser simples de interpretação e boa nos seus efeitos.
Defendeu claramente o ministro e embaixador Dr. Franco Nogueira, em “A Crise e os Homens”, que o povo era a grande esperança de Portugal. Tinha corrigido a História em momentos difíceis da nossa existência e tinha obrigado o país a uma nova trajectória. Foi assim nas grandes crises que sofremos até então, e o Embaixador não viu razão para corrigir a sua tese fundamental, já que nas grandes crises o país ficava dotado de uma elite política traidora que o levava paulatinamente para o desastre. Modelarmente ele observou que o povo, com dois rapazes de pouco mais de 20 anos, resolveu o problema da independência de Portugal face à lança castelhana. O mestre de Aviz e o seu Condestável Dom Nuno e homens bons dos Concelhos e de Lisboa foram capazes de arcar com as consequências de quererem a liberdade. Travaram a guerra e ganharam a campanha, aos gritos “São Jorge!” e “Portugal!”.
Noutras crises semelhantes, quando os governantes traíam, o povo encontrava alternativa para o momento grave e fazia a ruptura. Portanto, o povo tinha memória, e na oralidade dos contos entre camponeses, ferreiros, comerciantes, transmitia-se à família quem éramos, o que tínhamos feito, mas também o que se queria. Essa memória fazia o povo revoltar-se a sério, enforcar uns e trucidar outros; e todos assistiam à fuga da elite política para o estrangeiro, para depois dar o poder de governar a outros que o mereciam. Não temiam os Reis nem os Bispos e eram ciosos da sua comarca e das suas liberdades.
Não deixa de ser interessante este ponto, defendido com radicalidade por um homem inteligente a quem Portugal deve muito. Mas talvez as condições se tenham modificado desde que o povo e o Rei escolhido por ele foram derrotados e o liberalismo de Dom Pedro do Brasil fez a sua aparição com o cortejo de militares estrangeiros recrutados em Londres para derrotar o seu irmão, Dom Miguel. Também há muita probabilidade de que a guerra civil, dura e castigadora, dos que guardavam as tradições, e não tinham assim tanto à-vontade a matar, tivesse ocasionado uma ruptura no tecido da nação.
Hoje, o povo está em estado amnésico e só se lembra do último noticiário, dos feitos do Mourinho, das especiosas telenovelas, do Ronaldo e da ambição de ganhar aquilo de que nem se vai aproximar: a taça do mundo. Mais vai soprar na trombeta como lhe ensinam, tal como pôs bandeiras no tempo do Scolari. O povo esquece depressa e os dirigentes sabem, por isso dão-se ao luxo de fazer o que lhes apetece e o que lhes dá na real ganância de vil metal.
O povo esqueceu-se de que já se tem revoltado: que no tempo do Mestre atirou o Bispo de Lisboa da Sé abaixo, enquanto matavam o Andeiro. Hoje há muitos bispos de Lisboa e ainda mais Andeiros. O povo esqueceu-se de que a quebra da moeda era decidida em Cortes e também os impostos tinham que ter a aceitação dos homens bons dos Concelhos. Que a cabeça do rei de França rolou por uma questão de impostos, tal como foi enforcado o rei de Inglaterra antes. Que por razão de impostos as colónias americanas se separaram da Inglaterra e fizeram uma guerra de independência que vieram a ganhar. Domesticado, sonolento, o povo já não se lembra de nada na sua memória obliterada.
Sem Deus
Esqueceu a capacidade intrínseca de se regenerar e de criar homens bons nos Concelhos, em vez de alimentar uma administração local de vesgos, de políticos encartados, de representantes obedientes ao poder em Lisboa, de nulos cujo máximo horizonte é visto do campanário. Mas paga essa administração servil para com o Governo, mas soberba para com os pequenos que lhe solicitam uma pequena petição. Faltam homens bons nos Concelhos e abundam homens maus, vagabundos, subsidiados, ladrões, salteadores de ourivesarias, arrombadores de caixas multibanco, abusadores de crianças. Esqueceu-se de como os tratavam os seus Reis, os seus Conselhos do Concelho e a lei era aplicada. O homem não foi feito para ter em conta milhares de leis contraditórias e estúpidas, mas a lei é feita em função do homem, por isso deve ser simples de interpretação e boa nos seus efeitos.
Esqueceu-se de quem lhe fez mal, de quem o roubou, de quem suga e sugou o sangue fresco da manada, de quem o trata com um servil vilão, exigindo obediência de escravo. Não percebeu que Lisboa se tornou o país, uma rampa de lançamento para o estrangeiro de homens sem classificação possível, mas que vão ganhar muito dinheiro a fazer de conta que trabalham três dias por semana em coisas políticas misteriosas. Mas que são homens de obediência, que são servos de outros poderes mais altos e isso não passa de uma recompensa para continuar a servir a hierarquia de um eixo de estrangeiros.
Esqueceu que é um povo católico, que faz as últimas peregrinações da Europa. Que vai a Fátima e que reza e logo a seguir vota em ateus e agnósticos, que são ateus mais sofisticados. Que a sua representação de país católico que acolhe Papas com entusiasmo infantil está a cargo de ateus que se marimbam para o Papa e para tudo que ele é e representa. Não percebe que elege uma Assembleia que está contra Deus, representantes de nada do que Ele é, mas que actuam sofisticadamente para fazer avançar a máquina de uma Agenda anti-católica: aborto livre e subsidiado, casamento homossexual e mais tarde eutanásia para os mais velhos. Um país católico elege uma classe política anti-católica e incumbe-lhe a direcção do país. É pura e simplesmente a trafulhice da partidocracia, a costumada esperteza da Serpente Emplumada. Ficam espantados com os resultados da acção governativa? Que seria de esperar de ateus, homens sem Deus e sem Lei, inomináveis patifes, que adoram Mamon e provavelmente outro que se esconde debaixo do seu avental de pedreiros-livres?
Alzheimer
Esqueceram-se de quem os meteu nesta sopa, nesta lata de conserva de atum, que lhes engendrou uma dívida enorme. Esqueceram-se obviamente que herdaram um país com finanças equilibradas, sem dívidas, sem necessidade de ir de cabeça baixa falar ao senhor Sarkozy (KO) e a senhora Angela Merkel, os melhores representantes do dominante eixo dos senhores Berlim/Paris. Agora a romaria a esse centro de poder não tem fim, porque as leis feitas para o deboche que aqui se instalou são impostas, quer se queira quer não. O povo perdeu a liberdade, mas nem se manifesta como na Grécia. Come a cala.
Escreveu-se em 1872, em 'As Farpas', esta preciosa observação: “Nós estamos num estado comparável somente à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesma trapalhada económica, mesmo abaixamento dos caracteres, mesma decadência do espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas estrangeiras, quando se quer falar de um país caótico e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa da Europa – citam-se, a par, a Grécia e Portugal”. Regressámos ao ponto de partida, grecificamo-nos, mas neste caso os franceses voltarão a aplicar o termo “portugaliser”, como quem diz, abastardar-se na pobreza, na miséria, na anarquia, no reboliço, na desorganização económica e financeira. O que já começaram a fazer. Conhecerá o povo os seus inimigos?
Não, não creio. O povo sereno do almirante Pinheiro de Azevedo é agora um povo sem memória. Sofre da doença de Alzheimer.























